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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Capítulo 10

Ethan e Emily acordaram aquela manhã de sábado esbanjando felicidade. Depois de alguns dias vivendo a esperança daquele momento acontecer de novo, Ethan se sentia vivo e disposto novamente. Os vestígios da festa ainda estavam pela casa. Alguns copos de cerveja jogados ao chão. Sofá fora do lugar, uma verdadeira bagunça. Emily levantara afim preparar algo para ambos comerem, mas estava impossível fazer qualquer coisa que fosse naquela cozinha imunda. Decidiu comer algo na rua. Gritou de baixo para que Ethan descesse. Ethan levantou um pouco ressacado. Lavou o rosto e trocou de roupa. Pegou sua carteira na gaveta da escrivaninha e os dois foram para a RoseCoffee. 
Chegaram e escolheram a mesa de sempre, mas dessa vez não havia expressões ou lágrimas de tristeza. Sentaram, escolheram seus cafés e comeram como um mendigo toma um prato de sopa. Talvez pelo momento de felicidade Emily e Ethan não se deram conta do quanto beberam na noite selvagem que tiveram. Emily tinha umas manchas no braço direito e Ethan uns leves arranhões. Dois bicudos não se bicam, mas dois bêbados se bicam e muito mais. Já dizia meu avô, Freitas, em algum momento de depressão pós meia-idade. Ethan sorria para Emily como um moleque. Ela olhava sua mancha no braço e ele mostrava alguns arranhões como se dissesse: “Olha para isso também”. Os dois brincaram um pouco até que Emily pensou em como seria depois que Ethan entrasse no avião e levantasse voo.

- Ethan, desculpa atrapalhar a gente agora...
- Então não atrapalha.
- Mas a gente precisa conversar.
- Ok. Sobre o que você quer conversar?
- Eu estou falando sério Ethan.
- Eu sei sweet.
- Você sabe que eu não posso ir te visitar lá em Cuba.
- Você não precisa fazer isso. Eu venho visitar você aqui nos fins de semana que eu estiver livre.
- Você não acha que talvez isso seja...
- Seja o que? Interrompeu Ethan. – Caro? Cansativo? Emily eu não me importo com quantos dólares eu vou gastar, você vale qualquer esforço que eu tenha que fazer.
- Será?
- O que você quer dizer com esse “será”?
- Nada Ethan. Eu não quero dizer nada. Eu só...

Emily parou.

- Isso já aconteceu antes e você sabe como acabou. Continuou. – Eu só não quero ter que sofrer aquilo tudo de novo.

Ethan pegou na sua mão.

- Você não vai ter que sofrer nada. Eu era um garoto Emily. Hoje eu sou um homem e que te ama acima de tudo.

Emily sorriu meio tristonha. Já dizia quase o mundo inteiro que a confiança é à base de qualquer relacionamento. Existem dois tipos de confiança. Existe aquela que você conquista com um tempo e que perde em frações de segundos e existe aquela que você quer que exista. Muitas vezes queremos acreditar tanto que aquilo é reciproco que cegamos e confiamos, mesmo quando já cometemos esse erro antes. Mas se não fossemos assim, não seriamos chamados de seres humanos, não é? Emily queria acreditar que dessa vez seria diferente e de fato Ethan tinha mudado. Já não era mais um moleque e já havia sentido na pele o que era viver ao lado dela sem realmente tê-la. Digo isso por que o que os olhos não veem o coração não sente. Os dois acabaram por ali e voltaram para casa. Ethan precisava organizar as últimas coisas da viagem e Emily? Bom, ela precisava digerir essa verdade.

...

Ah o domingo. Dia entediante em qualquer lugar do mundo. Pelo menos no Brasil tem futebol na TV, mas aqui em Rosetown se você não tiver um grande ciclo de amizade, termina como eu. Cozinhando omelete para o colega de quarto comer quando acordar de ressaca. Chuck chegara de madruga fazendo um barulho imenso. Realmente tinha bebido todas como prometido. Caroline o deixou no apartamento, mas não dormiu por lá. O que eu achei estranho. Deixei comida pronta, vesti minha roupa de corrida e fui dar uma volta na praça. Olhar os cachorros correrem atrás de bolinhas, ver as pessoas pedalando, sentir aquele vento frio, mas natural. Corri uns trinta minutos até sentar em uma mesinha que tinha na praça. Minha respiração estava ofegante, acho que o frio já começava a me enferrujar. Sentia minhas articulações travadas, isso quando não sentia dor como um peso em meus joelhos. Fiquei uns dez minutos sentado, até avistar Cindy saindo de uma farmácia. O vento empurrava seus cabelos para traz deixando a mostra sua boca de lábios carnudos. Ela atravessou para o lado da praça e continuou andando sem me ver. Levantei e corri até alcança-la.

- Cindy. Falei respirando.

Ela se assustou.

- Deus, você quer me matar?
- Eu não sou Deus, mas longe de mim querer fazer algum mal a você.
- Sei. Você correu só para falar comigo é isso?

Eu sorri.

- Algum problema nisso? Eu não posso correr para falar com uma amiga?
- Nós não somos amigos.
- Tudo bem. Com uma conhecida. Está melhor assim?
- Uhum.
- Comprando remédios? Você está bem?
- São para minha mãe.

Fiquei calado.

- Mas não se preocupe, não é grande coisa.
- Certo. Melhoras para ela.
- Obrigada.

Cindy foi saindo.

- Do lugar de onde eu vim às pessoas costumam dizer tchau antes de sair.

Ela se virou com um olhar de raiva.

- Às vezes eu acho que Emily tem razão sabia?
- Não. Eu não estou sabendo.
- Esquece.
- Não, fale.
- Tommy esquece está bem?
- Você queria dizer que eu sou chato ou... Como foi mesmo a palavra que você usou ontem?
- Intolerável.
- Isso. Intolerável. 
- Tchau. Falou Cindy saindo.
- Antes intolerável do que mal educado, não acha?
- Você está insinuando...
- Nada. Sorri ironicamente.
- Eu não vou ficar aqui discutindo com você. Agora se não for incomodo eu estou indo embora. Tchau Tommy.
- Tchau Cindy.

Voltei a correr de volta para casa, e Cindy tomou seu rumo.

...

Cindy chegou em casa um pouco irritada com a conversa que tivemos. Colocou os remédios na mesa e foi jogando suas coisas no sofá. Emily que estava no quarto, escutara quando a amiga chegou despejando sua raiva nos objetos que portava. Saiu do quarto e ficou olhando ela se acalmar aos poucos.

- O que aconteceu que te deixou assim?
- Já não bastam os problemas que eu tenho, ainda tenho que ouvir piadinha.
- Quem te irritou assim?
- Aquele amigo de Chuck.
- Tommy?
- É.
- Não se preocupe. Ele às vezes irrita só de chegar perto. Embora eu tenha que confessar que quando ele quer até consegue ser legal.
- Você acredita que ele me chamou de mal educada?
- Vindo dele eu acredito em qualquer coisa. Ele se acha perfeito demais para sair julgando qualquer pessoa por ai. Não se preocupe às vezes ele não passa de mais um idiota querendo aparecer.
- Ou talvez eu realmente tenha sido mal educada com ele. Parou Cindy. - Ele só veio me cumprimentar, mas minha cabeça anda a mil. Eu já tenho demais com o que me preocupar.
- Hum.
- O que ele queria falar com você ontem? Ele parecia se sentir próximo a você.
- Você está maluca? Não somos próximos e ele não tem que se sentir assim. Conversamos algumas vezes, só. E foi em um momento que eu precisava conversar com alguém diferente. Mas ele continua sendo um nada para mim e não queria nada demais ontem a noite. Apenas falar besteiras típicas dele. Parou Emily e lembrou que na verdade eu mal tinha falado, mas achou melhor mentir. - Por falar nisso, como sua mãe está? Mudou o assunto.
- Eu não sei Emily. Estou começando a ficar preocupada. Amanhã pretendo voltar lá, conversar com os médicos direito, ficar um pouco com ela sabe? Me sinto tão distante dela nesse momento.
- Vá. Ela precisa de você do lado dela.
- Ethan viaja amanhã de que horas?
- As 10.
- Bom... Você deseja uma boa viagem para ele por mim?
- Claro.
- Desculpa. Eu nem me dei conta que só estava falando de mim o tempo todo. Mas e você está bem com isso tudo?

Emily foi andando até sentar no sofá.

- Eu não sei o que sentir Cindy. Parece que está tudo paralisado aqui dentro sabe? Acho que a ficha só vai cair quando eu ver Ethan subindo naquele avião.
- Vocês conversaram sobre isso?
- Hoje de manhã eu toquei no assunto, mas você o conhece. Sempre está tudo bem, tudo ótimo. O meu medo é depois. O que você acha?
- Bom! Você quer que eu fale o que realmente acho ou o que você quer que realmente seja?
- Acho que eu meio que já sei o que é. Talvez eu só não queira aceitar.
- Eu acho que tem 50% de chance de ser diferente sabe? Ethan ama você e isso eu não posso negar. Eu andei o observando esses últimos dias na faculdade e ele estava péssimo, mas também ele tem créditos suficientes para desconfiar né? Essa estória de vocês parece que foi escrita em círculos.
- Esse é o meu medo Cindy. Eu amo Ethan, mas ao mesmo tempo não sei se posso confiar. Não no amor dele, mas nas atitudes.
- Tudo tem seu lado positivo Emily. Talvez esse tempo que vocês vão ter sirva de lição. Eu acho que vocês são muito dependentes um do outro e acostumados também. Vocês também precisam de um tempo. Você não se sente sufocada não?
- Às vezes eu me sinto, mas nada que seja pior do que não ter Ethan por perto.
- Bom... O que te resta a fazer é esperar e ver o que o tempo vai fazer com vocês. Também ele não está indo embora para sempre, ele vai voltar. Então quer um conselho? Se não der certo aproveita esses dois anos e quando ele voltar, vocês voltam a essa vida rotineira que vocês têm aqui.
- Também não precisa falar desse jeito Cindy.

Cindy sorriu.

- Emily, vamos ver o que comer? Por que o assunto Ethan além de sono me dá fome.

Emily jogou o travesseiro em Cindy e elas foram para a cozinha.

...

Ethan acordou, desceu suas malas, tomou banho e ficou esperando o táxi com Emily chegar. O relógio marcava 8:00 da manhã. Quando o ponteiro marcou 8:30, Ethan ouviu uma buzina. O táxi o esperava lá fora com Emily, como combinado. O taxista colocava as bagagens na mala enquanto Ethan cumprimentava sua amada com um beijo de bom dia. Os dois entraram no carro e seguiram para o aeroporto.
Chegaram por volta das 9:00 e Ethan foi direto fazer o Check-in. Emily o esperou despachar as malas e os dois começaram a andar pelo aeroporto, esperando a hora do voo. Ethan abraçava Emily como se não quisesse mais soltar. Por ela, o tempo pararia ali. Andaram até sentarem em um dos cem bancos que tinham espalhados pelo aeroporto.

- Você promete que vai se cuidar lá? Perguntou Emily olhando para Ethan.

                Ethan retribuiu com um sorriso.

- Emily eu estou indo para lá cuidar das pessoas, não me cuidar. Sorriu da brincadeira.
Emily deu um tapa na barriga dele.

- Eu estou falando sério.
- Claro que eu vou me cuidar sweet. Não se preocupe.
- Por favor, coma direito, não vá...
- Emily! Sorriu. Você está parecendo a minha mãe.
- É que eu fico preocupada com você Ethan.
- Eu sei, mas eu já estou bem grandinho para me cuidar. Quem tem que tomar cuidado aqui é você.
- Eu?
- É você sim! Eu não quero você de muita conversa com aquele Bryan e nem com nenhum outro rapaz.
- Ethan, por favor...

Ethan sorriu.

- Deixa de ser boba. Você sabe que eu estou brincando, mas eu quero que você se cuide direitinho.
- Eu vou me cuidar.
- Ótimo. Eu confio em você.

Emily parou nesse instante. Queria poder dizer o mesmo, mas não pôde. Só restou olhar para ele e o beijar. Ficaram ali mais um bom tempo.

“Atenção passageiros do voo 153 com destino a Havana, Cuba. Portão de embarque número 14.”

- Te ligo quando chegar. OK? Disse Ethan.

Emily concordou com a cabeça e Ethan foi andando em direção ao portão.

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