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Esse blog é destinado a todos aqueles que são apaixonados por leitura e seus romances.
Sejam todos Bem Vindos e Divirtam-se.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Capítulo 3

   Emily morava em um apartamento com Cindy, sua amiga desde que começou a faculdade de jornalismo. Nos fins de semana quando não estava com Ethan ia para casa da mãe que ficava a umas três quadras do seu apartamento. Jamie seu irmão mais novo, não aceitava a morte do pai e a traição da mãe. Desde que seu pai morreu Jamie preferia passar o tempo nas ruas, bebendo e fumando com os amigos. Ele e Emily sempre tiveram uma relação muito estável. Ele confiava nela e seu irmão era tudo que Emily tinha, mas de uns tempos para cá, a agressividade de Jamie estava machucando Emily, que tinha que tomar conta da mãe e do irmão. Ethan era seu namorado. Eles se conheciam desde que usavam fraldas. Ele era o homem perfeito para ela. Inteligente, entrou para a faculdade de medicina e completamente apaixonado por Emily. Namoravam oficialmente a três anos. Quando adolescente Ethan era obrigado a morar com os pais, que viviam se mudando por conta do emprego do seu pai. Aos 15 anos Ethan voltou a Rosetown. Parecia que era oficial. Sua mãe voltou para a casa que era da família e prometeu cuidar dela até que seu pai voltasse para trabalhar no Rosetown Hospital. Ethan teve que se acostumar a ver o pai nos fins de semana, mas pelo outro lado, tinha Emily todos os dias que ele quisesse. Aquela paixão adolescente era devastadora. Um dia eles foram acampar perto de um lago que fica a alguns quilômetros da cidade. Era verão, então era comum que as pessoas arrumassem suas malas e fossem acampar.  Arrumam tudo, pegaram sua cabana e foram. A noite foi realmente especial. Ethan tinha programado tudo como Emily sempre sonhou e a lua naquele dia parecia estar a favor dos dois. Tiveram sua primeira noite juntos. Para Emily era como se ela estivesse em um sonho e não queria mais acordar. Ela e ele, os dois juntos, a lua perfeita, ela não queria mais nada.  Um ano depois Ethan foi morar na Europa, mas prometeu a Emily que era por pouco tempo e que os dois ainda continuariam a namorar mesmo a distância. Isso foi verdade. Eles se falavam todos os dias, até que a distância foi vencendo. Depois de um tempo Ethan voltou para fazer a faculdade de medicina. Era seu sonho desde criança. Talvez por influência do pai, ou por vocação mesmo.

...

   Emily estava lendo em seu quarto quando ouviu algumas pedrinhas batendo no vidro da sua janela. Seu coração na mesma hora começou a bater aceleradamente. Não pode ser! Aquelas pedras elas não eram reais. Emily e Ethan tinham um código de fuga quando mais novos. Sempre que os dois queriam se encontrar escondidos, Ethan jogava pedras na janela do quarto de Emily.

- Ethan! Pensou ela. 

   Rapidamente se levantou e olhou pela janela. Lá estava ele com seus cabelos claros e ondulados. Ela sorriu sem acreditar no que acabará de ver. Depois de tantos anos, ele ainda lembrava das pedras, ele ainda queria vê-la. Aquilo sem dúvidas foi a maior surpresa de todos os tempos. Emily calçou as sandálias e desceu rapidamente. Ao chegar ao meio das escadas pensou: “Agir naturalmente, não demonstre tanta emoção”. Emily estava magoada por não ter dado certo, mas ao mesmo tempo era tão diferente quando ela estava ao lado dele. Era como se não existisse raiva, magoa, tempo. Emily abriu a porta e o convidou para sentar na escada. Eles se olharam por um bom tempo. Ele apenas sorria para ela e pensava “como ela cresceu”. Até que as palavras venceram o silêncio.

- Nossa você está tão diferente.

Emily sorriu meio sem jeito.

- Você está ainda mais linda Emily. Como você conseguiu? Sorriu. - Como estão as coisas? Sua mãe, seu pai, Jamie?
- Estão todos bem e os seus pais como estão?
- Ótimos! Você sabe como eles são não é? Meu pai continua com sua obsessão pelo trabalho e minha mãe... Bom é a minha mãe. 
- E como foi lá na Europa? Muito frio?
- Foi bom. O frio europeu a gente se acostuma, difícil é aguentar o calor.

    Emily sorriu. Ethan olhou para ela, que expressava um rosto meio triste. Aquele sorriso tinha sido um sorriso de fim de conversa. Depois de alguns minutos em silêncio Emily perguntou com medo do que poderia ouvir.

- Por que você parou de me ligar Ethan? De mandar noticias? Eu fiz alguma coisa de errado?

   Ethan baixou a cabeça. Aquelas palavras doeram e ele temia que essas perguntas fossem feitas, mas era preciso responder. O mais importante era ser sincero. Ele respirou fundo e começou a falar.

- Emily eu sei que é difícil de dizer, de aceitar. Eu não dei mais notícias não foi por que eu não te amava mais, mas pelo fato de amar. Era difícil para mim aceitar toda aquela situação. Às vezes eu me sentia tão sozinho e queria você do meu lado, mas eu não podia ter.
- Eu nunca te abandonei Ethan, você sabe disso.
- Deixa eu falar, por favor... Eu sei que você nunca me abandonaria, mas não é a mesma coisa Emily. Às vezes o que eu queria era um abraço ou um gesto de carinho, mas você não estava lá.
- E você acha que eu não sofria com isso aqui também Ethan? Com tantos problemas que minha família está passando, o mínimo que eu queria era meu namorado do meu lado, mas eu não tinha e eu aceitava a situação, por que pior do que ter você distante é não ter você de jeito nenhum.
- Desculpa. Talvez eu tenha sido um covarde, mas eu estou aqui agora e eu vim para ficar. Se eu vim até aqui te procurar, é por que o que mais me importa nessa cidade é você.
- E o que você fez esse tempo que ficou longe de mim?
- O que você quer dizer?
- Ethan eu não sou mais aquela garotinha boba que você conheceu. Eu cresci, você cresceu e eu quero que você seja sincero comigo. O que você fez nesse tempo?
- Eu fiz varias coisas Emily. Eu me preparei para entrar na faculdade, eu joguei...
- Ethan, por favor, seja honesto comigo.
- Emily...

   Houve aquela pausa que a maioria das conversas tem. Ethan sabia que se ele falasse a verdade a Emily, talvez ele estivesse acabando com qualquer possibilidade de reatar algo, mas por outro lado ele também sabia que mais cedo ou mais tarde ela iria descobrir. Se existe uma coisa que Emily não deixa é estória com furos.

- Eu conheci uma garota em Londres. Eu estava sozinho e carente. Tinha ido assistir a um jogo de futebol com alguns amigos e depois a gente foi para um bar e eu bebi um pouco a mais, e terminei conhecendo essa garota...
- Qual o nome dela?
- Como?
- Eu quero saber o nome dela Ethan.
- Elizabeth... Olha Emily não foi nada ok?
- Nas outras vezes que aconteceu, você também estava bêbado? Todas às vezes você bebeu?
- Emily...
- Ethan, por favor! Você deve está cansado, é melhor você ir para sua casa descansar. A gente conversa depois está bem?
- Emily, por favor...
- Tchau Ethan.

   Emily se levantou e entrou em casa. Ethan olhou para a porta e começou a andar sem direção. Depois de um pouco mais de um ano os dois reataram o namoro, mas nesse meio tempo muita coisa aconteceu. Emily amadureceu ainda mais, teve outros romances curtos, mas que no final a ajudaram a enxergar mais amplamente o mundo. Quando você entra em uma faculdade, a única certeza que você tem é que ali vai ser completamente diferente do colegial. De fato é! Ethan começou também a sua faculdade de medicina e a princípio ele gastava seus fins de semanas com os amigos da faculdade e com uma boa jarra de cerveja. Isso incomodava Emily no fundo, afinal ela via seu amor se acabando lentamente, mas ele precisava sofrer um pouco, não era justo apenas ela sofrer tudo aquilo sozinha. Depois de muitas noites de festas, muitos copos de cervejas, os dois voltaram como tinha que ser.

- Você sabe que por mais que você conheça milhares de garotos, que beije milhares de bocas, você sempre vai acabar voltando para mim. Você é minha Emily!

   E Ethan estava certo. Agora tudo estava perfeito entre os dois. Todas as noites eles se falavam por telefone, ou se viam em algum lugar da cidade. Frio combina com chocolate quente. Esse era literalmente o programa preferido dos dois.

...

   Emily estava na cozinha quando o telefone tocou. Rapidamente ela atendeu. Era Ethan.

- Alô!
- Em, tudo ok por ai?
- Oi sweetheart, está tudo bem sim e por ai?
- Aqui está um pouco.. Você sabe... Solitário.
- Suponho que sua casa precise de companhia.
- É... Até que não seria uma má ideia.
- Eu bem que queria Ethan, mas eu prometi ao Jamie que iria dormir na casa da mamãe hoje. Mas, eu prometo que amanhã eu passo a noite todinha com você. Você sabe que o clima lá em casa está pesado e Jamie precisa da minha ajuda. Minha mãe e ele continuam em pé de guerra...
- Eu sei Emily, você não precisa se explicar. Tudo certo para amanha então. Eu vou preparar alguma coisinha especial para você, talvez um vinho.
- Hum... Vinho?
- Sim... Te ligo amanhã ok?
- OK. Te amo!
- Eu também amo você.

   E a ligação se encerrou. Emily voltou a arrumar a cozinha quando Cindy saiu do quarto. Cindy tinha os cabelos escuros e a pele um pouco pálida. Seus lábios eram um pouco grossos e avermelhados. Era uma beleza diferente. Cindy conheceu Emily na faculdade e as duas estudavam juntas desde então. Ela não era do tipo que aceitava tudo que Emily fazia e no começo foi complicado viverem juntas. Emily tem seu jeito meio mandão e Cindy não é de aceitar ordens, então a confusão estava feita, mas na maior parte do tempo as duas costumavam ser amigas.

- Ethan no telefone?
- Uhum... Queria que eu fosse dormir lá hoje a noite.
- Você não cansa desse melodrama?

Emily sorriu e foi andando em direção ao corredor.

- Eu conheço Ethan desde que eu era uma criança. A gente já passou por muitas coisas. Se fosse para eu ter cansado desse melodrama, eu não estaria onde estou, você não acha?
- Talvez, mas é que às vezes eu sinto falta daquela Emily louca.

As duas sorriram como se lembrassem de algumas coisas que fizeram no passado.

- Eu tenho que ir para a casa da mamãe.
- Já sei! Pode pegar o carro, eu não vou precisar dele mesmo.
- Obrigada!

...

   Emily chegou à casa de sua mãe por volta da hora do jantar. Jamie estava trancado no quarto e sua mãe tristemente na cozinha, fazendo alguma coisa para comer, na esperança que depois de tanto tempo a família pudesse ter uma hora sagrada. Emily deixou a bolsa na cadeira da sala e foi direto a cozinha. Encostou-se na parede e ficou observando sua mãe cozinhar. Ela costumava fazer isso quando era criança, na esperança de comer algumas sobrinhas de comida antes de tudo ficar pronto. Sua mãe hoje era uma mulher triste, que traiu o marido, que depois de alguns meses, por obra do destino faleceu devido a um ataque cardíaco. Os médicos disseram que o ataque cardíaco foi provocado por conta do estresse, então Mrs. Harris carrega essa culpa até hoje. Ela acha que a traição dela, causou toda a dor de sua família, mas o pai de Emily era um homem muito ocupado e costumava fumar mais que o essencial.

- Você está ai filha? Falou Mrs. Harris um pouco assustada. – Você tinha mania de fazer isso quando criança.

   Emily se aproximou da mãe com um sorriso. Deu um beijo em sua testa e perguntou por Jamie. A mãe tristemente apontou para cima.

- Vocês ainda estão sem se falar?
- Você conhece seu irmão. Tem o mesmo temperamento que o seu e o do seu pai. Está trancado a horas. Pensei que talvez com você aqui ele pudesse descer, comer alguma coisa. Estou começando a ficar realmente preocupada com Jamie. A coordenadora da escola me ligou hoje mais cedo e disse que ele está preste a repetir o ano escolar. Chega bêbado nas aulas. Eu não sei mais o que eu faço com seu irmão Emily.

   E algumas lágrimas começaram a descer do rosto de Mrs. Harris, que foram enxugadas nas roupas de Emily, que tomou a mãe com um abraço. Emily a princípio quando descobriu da traição da mãe, ficou muito magoada, mas depois de um tempo e muita conversa, ela decidiu que não iria tratar a mãe dela como culpada a vida toda e que todo mundo erra algum dia. Doía ver sua mãe daquele jeito. Jamie era muito novo para entender certas coisas. Ms. Harris era tudo que ele tinha, então foi difícil aceitar a perda. Emily deixou sua mãe na cozinha e subiu em direção ao quarto de Jamie. Olhou para os corredores e lembrou-se de quando era mais nova e morava naquela casa. Abriu a porta do quarto e viu seu irmão deitado na cama com os fones de ouvido. Quando ele sentiu que havia alguém no quarto, abriu os olhos e viu sua irmã parada diante dele. A felicidade tomou conta de Jamie. Ele sorriu para ela como uma criança sorrir para um cachorrinho que acabou de ganhar. Rapidamente tirou os fones de ouvido e foi abraça-la.  Foi um abraço tão bom, que Emily não sentia fazia um bom tempo.

- O que é que você está fazendo trancado nesse quarto, com essa noite linda ai fora?

Ele sorriu e sentou na cama.

- Estava esperando você chegar. E como estão as coisas? Como vai Ethan?
- Está tudo bem. Ethan está ótimo, planejando te levar a um jogo de futebol, mas Jamie a gente precisa conversar.
- O que? A mamãe já foi falar algo para você? Será que ela apenas não consegue viver a vida dela sem se interferir na minha?
- Jamie ela é nossa mãe. Se eu a perdoei, você também pode e além do mais o que ela me falou é preocupante. Você precisa estudar, se você perder um ano na escola vai ser um atraso para você, se o papai estivesse vivo...
- Se o papai estivesse vivo, Emily, nada disse estaria acontecendo.
- Onde quer que ele esteja, o papai está vendo a gente Jamie. Garanto que não está gostando nada de ver você nessa situação.
- Você veio aqui para ficar comigo, para falar do papai ou para ficar me dando lição de moral?

Emily sorriu de lado e sentou na cama junto a Jamie.

- Eu vim aqui para comer a comida da mamãe e ficar abraçada com você o tempo todo.

   Os dois conversaram mais um pouco. Desceram, comeram até Jamie pegar no sono. Emily tinha mania de ficar sentada nas escadas de sua casa, observando a noite e o movimento. A noite não estava tão fria como as passadas e Emily gastou bastante tempo ali sentada. Todos já tinham ido dormir, ela já tinha falado com Ethan, então era só aproveitar aquele momento. De longe vinha um rapaz correndo. Emily olhou bem para tentar ver quem estaria a uma hora daquela correndo. Aos poucos foi reconhecendo aquele rosto familiar. Eu estava fazendo a minha corrida diária. Ela pensou que a noite só poderia encerrar com chave de ouro. Quando eu estava passando pela frente da casa ela gritou:

- Anda me seguindo?

Olhei assustado. Só poderia ser comigo essas doces palavras.

- Não, na verdade eu deixo essa função com você. Respondi tentando respirar um pouco.
- Correndo a uma hora dessas? Você não tem nada para fazer?
- Na verdade eu não tinha mesmo. Bonita casa, você mora aqui?
- Na verdade minha mãe e meu irmão. Eu só estou de visita.
- Hum... E você não tem nada para fazer além de ficar sentada na escada uma hora dessas?
- Eu já estava de saída.
- Sei.
- Bom... Uma boa noite Tommy.
- Espera!
- O que?
- Bom saber que você dessa vez não esqueceu meu nome. Tenha uma boa noite Emily.

Dei as costas e fui embora. Emily entrou em casa e pegou em um sono profundo.







Um comentário:

  1. E a cada capitulo eu fico mais curiosa... Eu não se sou eu que sou muito curiosa,ou se é o livro que é muito bom. Acho que é pela 2ª opção. :)

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