Abri os olhos, olhei para o teto, senti o vento frio que vinha de fora. Era oficialmente meu primeiro dia em uma nova cidade e tudo que eu tinha certeza, era que o dia iria ser frio, daqueles que nem o casaco de lã mais grosso conseguiria me aquecer, afinal é janeiro de 2010. Fui para cozinha preparei um café quente e forte. Meu roomate ainda não tinha acordado. Roomate é o termo que os americanos usam quando se referem ao seu colega de quarto. Na verdade eu não estou morando em um quarto. Eu aluguei um apartamento por um ano. Tempo suficiente para eu terminar meus estudos de inglês e voltar para o Brasil. Acho que não me apresentei ainda, eu me chamo Tommy Bernold Freitas, mas conhecido com Tom, pelos íntimos. Minha mãe é descendente de italiano e meu pai... Bom ele é brasileiro nato. Misturando um brasileiro com uma italiana só poderia nascer um brasiliano. Algumas pessoas dizem que o meu charme está nos meus olhos verdes, e no meu cabelo mais escuro, dá um contraste que combina com meu tom de pele um pouco pálido. Eu não me acho a sétima maravilha do mundo, mas me considero inteligente e apaixonado. Eu amo a vida, os lugares, as paisagens. Sou fotógrafo iniciante. No meu antigo emprego eu era publicitário, fotografo, eu na verdade fazia de tudo um pouco. Sou formado a pouco tempo, tenho 24 anos, mas já me sinto na obrigação de ter casa, comida e roupa no armário. Muitas pessoas na minha idade ainda se acham no direito de curtir a vida nos bares, baladas, mas eu tenho uma visão um pouco diferente do que é curtir a vida. Eu prefiro explorar muito mais o mundo e as pessoas do que um copo de bebida e uma noite alucinada. Às vezes acho que eu nasci na década errada. Talvez umas 30 décadas atrás, não sei, mas se fosse assim eu não seria eu e particularmente eu adoro seu “eu”. São 7:00 da manhã e o frio lá fora parece assustador. Eu que sou acostumado com o calor da minha cidade, praias, água de coco, agora tenho que conviver com isso até o verão chegar. Eu não sei por que aqui as pessoas são tão preguiçosas, e o dia começa tão tarde. Acho que é coisa de brasileiro acordar cedo e ir a luta. Tomei meu café, depois fui tomar um banho quente para tentar acordar meus músculos. Domingo geralmente tem cerveja, churrasco e futebol. Bom aqui tem café, edredom e filme sem legenda. Vim me preparando muito tempo para fazer essa viagem, então acho que meu inglês não está mal. Como já disse eu aluguei um apartamento com um cara chamado Chuck. A gente já tinha mantido contato antes pela internet, mas agora é face to face, é muito mais desafiador. Chuck é um cara bacana, trabalha em uma empresa como administrador, tem cabelos castanhos lisos, olhos castanhos e um nariz estilo príncipe. Acho que as garotas devem gostar dele por aqui. Ele namora Caroline. Nunca a vi pessoalmente, mas pelas fotos ela parece ser bem engraçada. Tem os cabelos cor de mel que uma hora está cacheado, outra hora está liso, mas isso não importa, ela é dona de um sorriso angelical. Os dois namoram a mais de quatro anos e Chuck é completamente apaixonado por ela. Eu particularmente não acredito mais no amor. Não de uma forma radical, mas eu acredito no amor de mãe, de família, de animais, mas no amor entre homem e mulher eu deixei de acreditar faz tempo. Desde que eu descobri que a minha ex-namorada namorava comigo e com outro ao mesmo tempo durante 8 meses. Quando se é adolescente tudo causa traumas. Um bebida, uma comida, uma traição. Eu prometi depois disso que nunca mais iria me apaixonar até conhecer a minha segunda ex-namorada que me largou depois de 2 anos de namoro e até hoje eu não sei o por que. Estou preparado para que isso não aconteça a terceira vez. Rosetown parece ser uma cidade gostosa de viver. Apesar do centro da cidade ser uma agitação, aqui no meu bairro as coisas são bem mais tranquilas.
Depois de trocar de roupa, sai para estender a toalha e vi Chuck tomando o café que eu tinha preparado. Ele parecia cansado, como se não quisesse ter acordado. Seus olhos ainda estavam meio fechados e seu cabelo todo despenteado.
- Isso são horas de acordar no Domingo?
Perguntou ele meio sonolento.
- Você tomou banho?
Perguntou ele de novo, mas dessa vez com uma cara de espanto.
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- Eu não posso tomar banho quando acordo?
- Na verdade você pode, eu só ... Esquece, isso deve ser mania de brasileiro.
Eu ri meio sem jeito, mas para não encerrar a conversa eu prossegui.
- Pelo menos o café está bom?
- Sim, melhor do que o meu. Posso ser sincero? Qualquer coisa é melhor que o meu café, eu sou um desastre da cozinha. Você ao que parece leva jeito.
- Eu cozinho o essencial, mas não sou nenhum mestre cuca, pelo menos café eu sei fazer. Sorri mais uma vez.
-Não é a primeira vez. Conheci algumas cidades frias, mas nada se compara aqui.
-Deve ser difícil... Eu nunca conheci o Brasil, pelo jeito é um país maravilhoso, muitas praias, mulheres bonitas, carnaval.
- Carnaval é fantástico! O Brasil tem seus problemas, mas que país não tem? Já as mulheres... Bom, eu prefiro não comentar, mas se você quer se arriscar, boa sorte!
- Desculpa a pergunta, mas você é gay?
Eu parei nesse exato momento. Como assim “Você é gay?”. Olhei para Chuck como se não entendesse o que ele acabará de dizer, depois comecei a rir. Mas foi uma risada tão espontânea que foi preciso exatos 10 minutos de gargalhada. Eu não poderia culpa-lo pela pergunta, afinal o jeito que eu falei foi meio duvidoso mesmo, mas agora eu tinha mais uma preocupação na cabeça. Explicar por que eu respondi daquele jeito. Eu não queria entrar em detalhes. Isso me trazia lembranças, na qual eu gostaria de já ter apagado da memória. Chuck me olhava como se não estivesse entendendo nada. Deve ter pensado por um momento que eu era louco.
- Não, eu não sou gay.
- O jeito que você foi meio...
- Eu sei, mas é que eu não tive muitas experiências boas com as mulheres brasileiras, na verdade não quero ter com mulher de lugar nenhum do mundo, são todas iguais. Minha mulher é meu trabalho, meu dinheiro...
- Um homem traído reprimido. Eu entendo.
- Eu não sou reprimido, eu só acho que existem coisas muitos mais importantes do que me preocupar em achar o amor da minha vida, isso é bobagem, ninguém lhe ama mais do que você mesmo.
- Eu namoro Caroline a mais de quatro anos e tenho certeza que existe amor para amá-la ainda mais. Eu não sei o que seria de mim se não tivesse ela do meu lado. É como se eu não soubesse fazer nada entende?
- É exatamente essa relação de dependência que eu não suporto. Se eu quisesse alguém para cuidar de mim eu chamaria minha mãe, pelo menos ela não me trocaria por um cara mais rico ou mais bonito do que eu e se me trocasse ele seria meu padrasto, então no final eu sairia lucrando também.
- Cara você não é normal e ainda vai encontrar alguém e se arrepender de tudo isso que você fala.
Paramos na frente de uma casa. Parecia ser bastante acolhedora. Tinha um jardim bastante charmoso, as paredes eram em tom de amarelo claro, tinha um banco de madeira do lado da porta. Chuck bateu três vezes na porta e ouvi um latido fino. Caroline abriu a porta com um sorriso maravilhoso.
- Caroline esse é Tommy..
- Tom!
- ... Tom, meu novo roomate.
- Oi Tom, é um prazer conhece-lo. Entrem! Eu estou preparando um lanche. Vocês estão com fome? Por que nesse frio minha barriga para que nunca está satisfeita.
Pelo menos aqui as pessoas sabem dar as boas vindas. Pensei.
- Chuck Sweetheart você pode me ajudar a levar as coisas para a mesa? Tom pode ficar a vontade, sinta-se em casa.
Me sentei no sofá para esperar que eles terminassem de fazer toda a cerimônia. Eu estava um pouco envergonhado. Será que era preciso mesmo passar por tudo aquilo? Comecei a bater nas minhas pernas procurando fazer algum som legal que fizesse o tempo passar mais depressa. Era uma mania que eu tinha desde criança. Eu adoro música. Toco violão desde os 7 anos de idade e com o passar do tempo fui aprendendo a tocar outros instrumentos como bateria, teclado e saxofone. Escutei um barulho vindo do corredor, parecia uma risada... Não era alguém no telefone.
- Certo, eu te ligo depois. Amo você!
O que era aquilo? Ela até era bonita. Não bonita é piada, ela era inexplicavelmente linda. Seus cabelos pretos e lisos, sua nariz afilado, sua pele um pouco mais morena do que o de costume por aqui.
- Quem é você? Perguntou ela com uma cara de repulsão.
- Tommy, amigo de Chuck. Quem é você?
- Isso importa? Caroline eu tenho que ir, Ethan e eu vamos jantar hoje a noite. Estamos comemorando os 3 anos de namoro. Oi Chuck!
- Oi Emily...
- Emily espera....
E a porta se fechou.
- Desculpa o jeito dela.
Disse Caroline meio envergonhada pela amiga.
- Tudo bem, eu já estou acostumado com esse tipo de pessoa.
- Então vamos comer, não é?
Passamos a tarde comendo e conversando. Chuck e eu voltamos para casa de tardezinha. A temperatura baixava ainda mais. Chegamos em casa eu agradeci pelo dia e entrei no meu quarto. Vesti o pijama e lembro-me que cai na cama.
Eu nem sei o que comentar... Já no 1° capitulo a história prende o leitor,e faz ele ficar curioso para os próximos,apesar de serem capitulos longos,eles não são nem um pouco cansativos. Eu acho que tu deveria enviar pra uma editora Carla,eu só acho...
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